A nossa casa foi contaminada por caruncho. Apercebemo-nos desta lamentável patologia quando encontrámos o meu cavaquinho reduzido praticamente a pó. Desconfiamos que o insecto tenha sido herdado juntamente com uma peça de mobiliário de uma tia-avó. Felizmente a construção é em betão armado e estes hóspedes apenas encontraram meio para o seu sustento e habitação nos móveis e no pavimento. As únicas estruturas em madeira que temos encontram-se se no sótão, mais concretamente no telhado. Por sorte esta madeira foi devidamente tratada e estes nossos inquilinos não encontraram nela, até à data, local suficientemente prazenteiro para montarem acampamento.
O compartimento mais contaminado é sem dúvida o nosso quarto. Foi nele que foi instalada a peça portadora desta colónia e talvez a família ainda não tenha crescido o suficiente para recorrer à emigração. Mas o crescimento é notório, sendo o parquet do chão, em carvalho, o seu manjar preferido. A nossa cama, comprada como peça da melhor arte de marcenaria, mostrou a sua falta de autenticidade ao encontrarmos nela um dos barrotes repleto destes animaizinhos.
É uma patologia difícil de eliminar. Até agora apenas temos aplicado, às portas dos seus infindáveis túneis, valentes doses de Xilofene, mas com resultados pouco satisfatórios. Na cama, a dose de insecticida teve de ser reforçada. Não queria nada que um colapso fosse comprometer qualquer das utilizações a que é destinada... Em suma, vamo-nos resignando em partilhar os nossos cómodos com estes quase nossos amigos. Temos pena deles, coitados. As casas estão tão caras…